08 Abril 2008

POETA
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ouvimos o poeta falar no peso exacto de cada palavra e não sabemos a que se refere. a diferença de um grama, por exemplo - é muito? é pouco? inultrapassável? dispiscienda?
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PERSISTÊNCIA
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antevemos que toda a persistência será, um dia, tornada inútil. persistir em ignorá-lo dá, consoante o ponto de vista, a medida da nossa coragem ou da nossa loucura.

28 Março 2008

TUDO E NADA
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quase nada é tudo. disseram-me, porém, que um antigo sábio afirmou também o contrário.
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INDIZÍVEL
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se aceitarmos que existem palavras indizíveis, teremos que admitir que falta algo para as podermos dizer: sons, letras ou ideias. diverso será, aceitemos novamente, se o indizível dispensar a palavra para ser dito. nesse caso trata-se de algo que sabemos o que é, mas não podemos nomear.
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27 Março 2008

NANO
desconhece-se ainda o significado real desta palavra. na realidade, é difícil lidar com uma palavra cujo tamanho diminui constantemente.
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ESTRADA
não é a sua direcção que lhe dá sentido. é, sim, o facto de a podermos abandonar e trocar por outra.
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19 Novembro 2007

Era uma vez...

Tem razão o arq. José Veloso no Canallagos Jornal On-Line. A verdade, a dolorosa e infeliz verdade, é que os intérpretes da destruição continuam a ganhar eleições e isso, de certa forma, desresponsabiliza-os. A culpa, como de costume, é da cegueira colectiva, logo, não é de ninguém.
BICICLETA

é belo o mundo visto assim, com o vento a bater-lhe na cara ( e a velocidade a separar-me do chão ).

DIA
sucede à noite e extingue-se com ela. mas repara melhor: dir-se-ia uma península singular, rodeada de noite por todos os lados excepto pelo lado do sol.

15 Novembro 2007

SOLIDÃO

é quando até tu falhas na companhia que fazes a ti próprio.


DESTINO

aceite-se o recurso ao lugar comum e veja-se a vida como um livro.
- já escrito. – afirmam os que crêem na irreversibilidade do destino.
- em branco. – contrapõem outros.
tranquilizem-se, porém, os primeiros: o livro em branco nunca existiu.
folheiem-se, uma a uma, as suas páginas nuas e busque-se com atenção. algures, numa
folha mais inicial ou adiantada, lá está ela, claramente escrita. a palavra fim.

14 Novembro 2007

AS COISAS

As coisas, se não fossem como são, seriam de outra forma. seriam de forma a que alguém dissesse: as coisas, meu amigo, são como são.


OCEANO

é uma confluência de sonhos e de sais. e de águas, também.

13 Novembro 2007

BARCO

um homem disse: vou fazer um objecto mais pesado do que a água para atravessar este rio. os outros riram-se dele.
o homem não os ouviu porque, na sua cabeça, já viajava.

RIO

vou deitar-me neste leito – asseverou a água – para continuar a correr.

08 Novembro 2007

MEMÓRIA

tal como nos computadores, é importante que possa ser apagada. um homem com a memória cheia tem um desempenho muito lento e tende a funcionar mal ou a não funcionar sequer. upgrades de memória externa recomendam-se. bibliotecas, por exemplo.



COLAR

a nudez dessa coluna de carne que se situa entre o tronco e a cabeça sempre incomodou as pessoas. de todas as coisas com que a vestiram – gravatas, laços, folhos, colarinhos, lenços, etc. – o colar é a mais delicada. um colar fino, muito simples, quase invisível; um fio, apenas.

05 Novembro 2007

SETA

sabe bem que nada é eterno, nem sequer o seu voo. já o alvo, muitas vezes, não o sabe.


ESCRITA

um homem junta letras, sons e sentidos, e escreve-os, para que venha outro homem e os ordene outra vez, de forma exacta ou aproximadamente igual. isto repete-se até vir um homem que diga os mesmos sons e entenda o oposto do pensaram os outros. a escrita serve para isso.

31 Outubro 2007

ABELHA

tem, como missão fundamental, levar uma flor a outra flor. comparado com isso o mel é apenas uma prenda, uma espécie de rebuçado, um doce.


GOLFINHO

desconhece-se qual a maior nostalgia: se a do homem olhando o golfinho, se a do golfinho olhando o homem.

30 Outubro 2007

MÚSICA

no início não passava de uma tentativa de roubar a alma aos pássaros. só depois ( muito depois? ) alguém reparou que revelava a alma dos homens.


PALAVRA

é uma ideia rodeada de sons. outras vezes – como em palavreado – os mesmos sons rodeiam a falta de ideias.

29 Outubro 2007

SILÊNCIO

o silêncio, disse o conferencista, é o nome que damos aos sons inaudíveis. um silêncio, senhores, não é igual a outro. Existem silêncios simples e outros mais complexos, muito complexos, verdadeiras sinfonias de silêncios, partituras impossíveis de ler ou escrever, obras e execuções irrepetíveis.
a plateia, não sabendo como aplaudir, optou pelo silêncio e retirou-se sem fazer barulho. na verdade, mais tarde, quando perguntados, ninguém sabia dizer qual o momento mais importante da conferência – se a fase em que o conferencista falou, se a outra em que se calou.


VAGA

é como se um monge zen tivesse inventado esta palavra. abram-se os dicionários:
-elevação de grande porte ( formada nos mares, lagos, rios, etc.).
-grande quantidade de… ( pessoas, animais, veículos, etc.).
-espaço que não se encontra ocupado.
-falta, ausência carência.
-que vagueia.
não falo pelo leitor mas, para mim, faz sentido: uma elevação de grande porte ou grande quantidade de alguma coisa, cujo espaço não se encontra ocupado, e onde existe uma falta, ou uma ausência, ou uma carência, que vagueia.

12 Outubro 2007

UM ESCULTOR PARA O FIM DE SEMANA



Joana Vasconcelos é uma das criadoras que mais rapidamente se distinguiu no panorama artístico actual. Recorrendo à acumulação e repetição de objectos de consumo corrente, reorganizando no âmago do seu trabalho aquilo a que chama "a estética de supermercado", Joana Vasconcelos surpreende a cada novo trabalho, sendo disso exemplo obras como "A noiva" - um lustre executado com tampões higiénicos e aço inox - ou o sapato realizado com tachos e tampas de panelas, etc. Destaca-se ainda na sua obra o recurso ao croché envolvendo objectos decorativos comuns, criando uma associação que resulta paradoxal entre um certo "ar" antigo e datado e o resultado de conjunto, absolutamante contemporâneo.

10 Outubro 2007

ESPANTA-ESPÍRITOS

denominação normalmente associada a um objecto de funcionalidade não comprovada. deveria, obrigatoriamente, designar algumas fórmulas matemáticas, determinados livros, certas obras de arte.

PEDRA

é possível afirmar-se, correndo o risco de incorrecção apenas parcial, que a sua robustez, coesão, ancestralidade, perenidade, etc., estão intimamente ligados à sua incapacidade para gerar ideias. pode também afirmar-se que todas as características acima mencionadas são habitualmente invejadas pelo homem comum.
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Interrogações, definições, confirmações, confissões e exclamações de uma borboleta em Pequim

09 Outubro 2007

ESTRANGEIRO

não tomes o que trazes como definitivo – ou não deixarás de ser estrangeiro.


PEIXES

existem com muitas formas, tamanhos e cores. existem de profundidade e de superfície. existem como predadores, como predados e como predadores-predados. todos cumprem, independentemente das diferenças entre si, a sua função principal: dar à água uma solidez que tenha corpo.

08 Outubro 2007

FAÍSCA

a noite que nos antecede é menor do que a que nos sucede, excepto se o universo tiver atingido já metade da sua existência. O conhecimento deste facto serve apenas para tentar situar o momento da faísca que fomos.

AREIA

é constituída por grãos. um punhado contém uma infinitude de grãos. um deserto contém uma infinitude ainda maior de punhados. no entanto, nenhum grão desejaria ser outro.

04 Outubro 2007

FOGO

homem e fogo conhecem-se, pode dizer-se, desde a noite do tempos. mas ainda não decidiram quando são amigos e quando são inimigos.


FUMO

invejável, a sua inconstância. Quase tão invejável quanto pode ser preocupante a sua constância.

03 Outubro 2007

CALOR E FRIO

o frio não se dirige para o calor com o objectivo de se apossar dele. é, antes, o calor que penetra o frio pretendendo anulá-lo. dito assim: é necessário o suicídio de muitos grãos de calor para aquecer o frio.

AMOR

fala-se de tudo quando se trata de descrever o amor. é por isso que não vale a pena falar do amor. a melhor coisa que o amor tem não é poder ser tudo. é ser indescritível.

02 Outubro 2007

John Pizzarelli Trio - O, My Heart Beats For You

John Pizzarelli, lui même, explica aqui e ao vivo algumas das razões pelas quais me sinto cada vez mais "pizzarelliano". Oiçam:

Don't get around much anymore - John Pizzarelli

01 Outubro 2007

DEUS

sabemos que existem ligações entre as coisas. e sabemos, também, que nada pode ser absoluto sem contemplar todas essas ligações.


PELE

é um isolante. impede que sintamos a água, o vento, o sal sobre a carne crua. impede que nos desfaçamos, escorrendo para dentro das coisas. quando duas peles se tocam impedem os corpos de se fundirem um com o outro. ainda que se aproximem disso.

28 Setembro 2007

um escultor para o fim de semana


Encontrei este fotógrafo aqui, no sem-se-ver , e pensei que se tratava de um escultor. Depois, vendo bem as fotografias, observando os processos que Chema Madoz utiliza para executar alguns dos objectos que fotografa, analisando a forma como utiliza objectos tridimensionais para construir as suas imagens e a sua poética, concluí que o autor pensa como um escultor ou que, pelo menos, utiliza técnicas ligadas à escultura para atingir os seus desígnios. É, perdoe-me o próprio, como um escultor que se interessasse mais pelo resultado bidimensional das suas esculturas do que pelas peças em si mesmas. Com óptimos resultados, diga-se.

27 Setembro 2007

ENTARDECER

é um momento, uma pausa, uma preparação para que as coisas diurnas entrem no mundo das coisas nocturnas. dito de outra forma: é um compasso para que não sobrem pedaços de dia isolados dentro da noite.


CAMINHO

ignoramos se fazemos o nosso caminho no mundo, se o mundo faz o seu caminho em nós, se ambas as hipóteses se misturam, se estão igualmente certas ou erradas. mas algo sabemos, por certo: é quando estamos parados e fechamos os olhos que melhor nos vemos caminhando.
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Interrogações, definições, confirmações, confissões e exclamações de uma borboleta em Pequim (versão de bolso)

26 Setembro 2007

ARTE

procura uma inutilidade que seja mais preciosa do que outra. arte é como se chama o resultado desse trabalho.

ÁRVORE
faltava um lugar adequado para o chilreio dos pássaros. inventaram-se, então, as árvores. por causa das aves e por causa da vida, que precisava de se afirmar, também, como força imóvel e vertical.

25 Setembro 2007

Interrogações, definições, confirmações, confissões e exclamações de uma borboleta em Pequim, começa hoje a publicar-se no Afinador. Aqui vão as primeiras:

COR

não existe sem luz. daí poder afirmar-se que cada tom é uma inspiração luminosa.

VIAGEM

as melhores acontecem se o espírito acompanha o corpo. o contrário, sendo frequente, não basta para explicar por que razão nos deparamos com tantos corpos faltos de espírito.

21 Setembro 2007

um escultor para o fim de semana

LOUISE BOURGEOIS


"My childhood never lost its magic, never lost its mystery, and never lost its drama."


Nascida em 1911, Louise Bourgeois, passeou-se pelo surrealismo, pelo expressionismo abstracto, pelo minimalismo, pelo realismo e pela arte conceptual. Continua viva e a Tate prepara uma exposição retrospectiva que inaugura já em outubro.
Vejam o vídeo intitulado "Touch of Jane Addams" no link que se segue. Uma lição em pouco mais de meio minuto:
Art:21 . Season One . 3: Identity PBS
( Já agora, aproveitem e visitem o site. São muitos escultores para um só fim-de-semana, mas valem a pena.)

20 Setembro 2007

Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz - o fim

Começou a ser publicado no dia 20 de Setembro de 2006. Encerra hoje, exactamente um ano depois. Aqui vão os últimos pensamentos do Sr. Anacleto:

CXVII

É difícil fazer compreender ao pássaro que a profundidade é a altitude ao contrário. Excepto, talvez, se for toupeira a explicar-lhe.


CXVIII

Rodeia-te de ouro que não apresente peso nem forma. Transporta-se mais facilmente.


CXIX

Há, aqui, coisas que são pérolas. Mas o que são pérolas, nos dias de hoje?


CXX

Não acredites em tudo o que leste.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

18 Setembro 2007

CXV

Todas as desculpas servem para um homem se manter vivo. Excepto, comprovadamente, a última.


CXVI

Domina o cometa como se pegasses um touro. Fá-lo rabejar.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

17 Setembro 2007

CXIII

Caminha sobre as águas. Não pares de andar, dentro do barco.



CXIV

Nada é mais teu do que o chão que pisas. Pelo menos enquanto o pisas…

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

14 Setembro 2007

CXI

Lastima-te, mas não desanimes. Persevera nalguma coisa: lastima-te.


CXII

Alimenta-te de ti mesmo. Rói-te de inveja.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

13 Setembro 2007

O "Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz" aproxima-se do fim. Sairão dois por dia, até à sua conclusão.

CIX

O sol continua atrás das nuvens. Acorda-me, quando estiver à frente.


CX

Quem dança por gosto não descansa.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

12 Setembro 2007

Amazing Hand Shadow show by Raymond Crowe


Um divertimento para anunciar o regresso do Afinador, quase dois meses depois...

13 Julho 2007

Mais uma...

...a contribuir para o clima persecutório que se sente por todo o lado. Este blog ( InApto ) foi processado.
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( O Afinador de Sinos bem gostaria de prosseguir com um ritmo mais lento de postagens mas este tipo de coisas obriga a uma atenção furiosa. Ai portugal, portugal, continuam a tratar-te tão mal...
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12 Julho 2007

XANA - "O Falso Diário de A.B."


A inauguração da nova exposição de Xana, intitulada "O Falso Diário de A.B.", realiza-se na próxima sexta-feira, dia 13 de Julho, pelas 18.00 h. na Sala do Cinzeiro do Museu da Electricidade (Central Tejo, Av. Brasilia, 1300 LISBOA)



Nesta exposição, Xana apresenta obras inéditas realizadas em 2007 que são o desenvolvimento das suas pesquisas com pinturas digitais cinéticas apresentadas na sua exposição antológica, realizada na Culturgest em 2005.
"O Falso Díario de A. B. " é o titulo enigmático do conjunto de obras apresentados agora na Central Tejo - numa instalação que conjuga o vídeo, o desenho e a escultura.
O núcleo central da exposição é um conjunto de cinco vídeos realizados em Madrid, Lisboa e Lagos, locais em que o artista filmou algumas vivências quotidianas, como uma visita a um Museu, a permanência numa discoteca ou um passeio urbano. Esses vídeos foram montados e sujeitos à intervenção de desenhos digitais ou frases/legendas que se sobrepõem às imagens iniciais criando uma narrativa ficcional de múltiplas leituras.
Esta instalação de vídeos é contextualizada pela presença de uma escultura cenográfica constituída por 720 baldes de plástico vermelho, intitulada ironicamente de "Muro de Lisboa" e enquadra-se no seguimento de outras obras realizadas pelo artista, desde 1989, com objectos industriais. Apesar da efemeridade e do caracter eminentemente estético desta construção, é obvia a referência conceptual deste muro com o mítico "The Wall", tema dos Pink Floyd, com o Muro de Berlim ou com tantos outros muros que separam as comunidades em conflito, como o actual muro entre Israel e a Cisjordânia.
Como afirma João Pinharanda, comissário da exposição, "o que acontece nas experiências que agora se apresentam pela primeira vez, ... revela a faceta crítica, complementar da obra de Xana. Sobrepondo realidades diversas (pequenos filmes, fotos, desenhos, curtas animações, frases marcantes) Xana prolonga experiências fotográficas de 2003 e parece proceder à depuração de um conjunto de vastas colagens (de 1985, série "Raspar as palavras") onde acumulava tematicamente imagens de políticos e factos históricos, alimentos, paisagens, artistas e obras de arte… mantendo um espírito de registo documental e comentário crítico e cruzando-o com testemunhos de subjectividade imediata. Assim constituiu um arquivo de olhares banais sobre coisas banais, de momentos de alegria fútil nos convívios sem história entre amigos ou de voyeurismos sem consequências. Um arquivo de imagens nauseantes da sociedade de consumo, paisagens devastadas pela urbanização, paródias à massificação da cultura...

A intervenção dos seus desenhos nas imagens filmadas e nas fotos mantém o marcante carácter de surpresa e contradição cromática e formal, humor e desestabilização. Do mesmo modo, certas frases (com efeito semelhante às que usara nos anos 80 em pequenas colagens de jornal) regressam como legendas finais constituindo comentários que integram inteligência verbal e inteligência visual — formas e ideias sobre a felicidade e a nostalgia, a perdição e a salvação do mundo. Xana torna artístico o que o não é e altera o estatuto das imagens que o são – manipulando todos os dados disponíveis de um modo aparentemente narrativo provoca sucessivos incidentes."
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CVII

É certo que o homem é omnívoro e o leão carnívoro. Já quanto à maçã ser vegetariana…


CVIII

É fácil falar mal de alguém. Difícil é falar mal de alguém e fazê-lo bem.

Do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

06 Julho 2007

Antes que esgote...

Hoje, na primeira página do Inimigo Público, um excusivo mundial:

IBUFO
revoluciona a vida a chibos socialistas
"Um sistema intuitivo para QI básicos que permite a qualquer grunho
um fácil chibar na ponta dos dedos"
*
O Afinador diria que revoluciona a vida a chibos e acrescentaria um ponto final. Isto porque chibo é chibo, ponto final, até mesmo quando alega que os exemplos chegam de cima. E aproveita, o Afinador, para fazer uma recomendação: despache-se o leitor interessado e adquira já o seu. Antes que esgote...
*
P.S. - A oficina do Afinador de Sinos continuará a laborar, nos tempos mais próximos, em velocidade moderada.

03 Julho 2007

Calor...

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Com a chegada do calor, o Afinador de Sinos vai mudar de ritmo. Não se trata de férias. Apenas de menor regularidade aqui, nestes ares blogosféricos. Mas haverá postagens. De vez em quando, ao calhar... Carpe Diem.

30 Junho 2007

Um escultor para o fim de semana

kenneth Snelson

Esta torre permanece na minha cabeça desde que vi, pela primeira vez, uma fotografia sua. Sobre o seu autor existe informação aqui, sobre esta peça e sobre o local onde ela se encontra - Hirshhorn Museum and Sculpture Garden - pode procurar-se aqui. A fotografia que tanto me surpreendeu e chamou a atenção para esta construção está aqui. Não a consegui publicar, mas aconselho-a vivamente. É através dela que se vê claramente a incrível engenharia que permitiu a construção desta peça escultórica.

28 Junho 2007

A CASA DO HORROR (V)

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Um país em guerra. Um soldado estrangeiro sobe um muro alto e espreita para dentro de um quintal. Vê corpos inanimados espalhados pelo chão. Alguns mexem-se. Ouve gemidos. O grupo de soldados invade o edifício e percebe que se encontra num orfanato para crianças com necessidades especiais. Descobrem orfãos subnutridos por todo o lado. Não são alimentados há cerca de um mês. Há crianças tão fracas que não conseguem falar ou chorar. Na cozinha os guardas jogam às cartas enquanto cozinham uma abundante refeição apenas para si próprios. Uma busca à despensa revela fardos de roupa e caixas de comida prontas para serem traficadas e vendidas no mercado negro. Apesar de transportadas para um hospital e alimentadas, algumas crianças já não recuperam e morrem após o resgate. A ficção não faz parte desta história.
*
Para ver aqui, ou aqui,
etc.

O prometido é devido...

mas o YouTube não parece querer colaborar. A Rosa de Hiroxima está aqui. Secos & Molhados no seu melhor.

Secos e Molhados Muito

A canção é repetida, mas o vídeo é delicioso. Estava-se em 1973!

26 Junho 2007



CV

As montanhas aumentam de tamanho à medida que nos aproximamos delas. É uma mania antiga, que fazem questão de manter.


CVI

Partindo do seu ponto de vista, é injusto que queiras exterminar a injustiça.


do Caderno de pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

25 Junho 2007

COLECÇÃO BERARDO NO CCB

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O homem será polémico e desencadeia reacções de todo o tipo na sociedade portuguesa. Poucos morrerão de amores por ele, e outros são atacados por súbita comichão assim que ouvem a palavra Joe. Há, no entanto, um ponto que parece consensual: reuniu uma das colecções mais importantes, a nível mundial, sobre a arte do século XX.


A telenovela é conhecida: Berardo propunha, os governos diziam sim, mas..., Berardo ameaçava com a deslocalização, os governos diziam mas, mas..., falou-se no Pavilhão de Portugal, no Museu do Chiado, num museu construído de raiz, em França, pelo governo francês, no Japão, pois, pois..., mas, mas..., contamos com o patriotismo do senhor..., anos a fio.


A colecção abre hoje ao público no Centro Cultural de Belém -complementada por obras de outros museus nacionais e estrangeiros- por um período (mínimo) de dez anos. Isso é mais importante do que todo o nevoeiro lançado em volta do assunto. Para mim, em última análise, a colecção é mais importante do que Joe Berardo. Goste-se ou não da ideia.
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Mas, sendo as coisas como são, é difícil achar bela sem senão; se Lisboa (e Portugal) ganha uma "bandeira cultural", perde, por outro lado, um espaço priveligiado para grandes exposições de autor e outras de grande circulação internacional. Reivindique-se um espaço assim e a colecção Berardo terá funcionado duplamente.

24 Junho 2007

Secos e Molhados - Sangue latino + O Vira

E tu, Maria, lembras-te destas canções?

Nina Hagen Band- African Reggae

22 Junho 2007

UM ESCULTOR PARA O FIM DE SEMANA

RICHARD SERRA


Na imensa obra de Richard Serra destacam-se estas gigantescas Torqued ellipses e Snake que fazem parte da colecção permanente do Museu Guggenheim de Bilbao. A primeira impressão com que o observador se depara é a escala monumental do conjunto e a sua adequação ao espaço envolvente. Tudo é enorme, excepto os observadores. Percorrê-las, entrar nelas, cumprir os seus trajectos sinuosos, por vezes quase claustrofóbicos, percurtir o metal com os nós dos dedos, notar o ar de espanto e de deslumbramento dos outros visitantes, constituem experiências inabituais. Terminada a visita e abandonada a sala, outra surpresa aguarda os passeantes; uma pequena varanda, num piso superior, de onde se tem uma visão do conjunto e das pessoas que circulam fora e dentro das esculturas (conferir imagem superior). Belo, impressionante e inesquecível.

20 Junho 2007

O Jardim - Fabíola Aquino

Roubei este vídeo no http://prazer_inculto.blogspot.com . Possidónio Cachapa comenta, laconicamente, que sente saudades do Brasil. Percebe-se porquê.

Eutanásia, aborto, legalização e objecção de consciência...
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39% dos médicos oncologistas portugueses defende a legalização da eutanásia como questão ética. Por outro lado, o número de médicos objectores de consciência em relação à interrupção voluntária da gravidez tem aumentado, atingindo os 80% em alguns hospitais públicos. Ocorre-me perguntar o seguinte: de um ponto de vista civilizacional, que significam estes movimentos aparentemente contraditórios? É, ou não, verdade que, em ambos os casos, a vontade consciente do "paciente" é parte importante da decisão final? Até que ponto? Quanto vale a vontade do paciente? E a do médico? Em que momento a morte assistida deixa de se confundir com suicídio assistido? Podem, em qualquer dos casos, os objectores de consciência atingir os 80%? Nesse caso, que soluções oferece o estado ao paciente para que o seu direito prevaleça?

19 Junho 2007

exercícios de lógica

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José Mourinho empurrou Shevchenko para perto da porta de saída do Chelsea, segundo alguns analistas, com esta declaração assaz reveladora: Se querem saber se o Shevchenko voltará algum dia ao Milan, não lhe perguntem a ele, mas a Kristen, sua mulher. Em minha casa mando eu, enquanto no caso do André, se a mulher levanta a voz, ele vai esconder-se debaixo da cama com o rabo entre as pernas.
Ficamos, com esta curta declaração, a saber uma enorme quantidade de coisas:
1- Shevchenko tem mulher, rabo, pernas e uma cama onde se esconder debaixo.
2- A mulher de Shevchenko chama-se Kirsten e sabe algumas coisas, pelo menos o caminho para Milão.
3- Mourinho tem casa e manda nela.
4- Mourinho tem mulher e ela não manda nada em casa.
5- A mulher de Mourinho não levanta a voz ou, se levanta, baixa-a de novo, por não lhe adiantar ter voz.
6- Mourinho, ou não tem medo da voz da mulher, ou tem uma cama demasiado baixa e não cabe sob ela, ou não tem pernas ( o que não é manifestamente verdade, já as vi na televisão ) ou não tem rabo (que nunca vi, nem na tv).
7- A confirmar-se a última hipótese, a tradicional sabedoria do povo português deslinda o caso através de um pequeno ditado - quem tem cu, tem medo. Logo, quem não tem um, não tem outro.
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Mas resta uma pergunta ( ou duas )
- Mourinho não tem medo por não ter rabo, ou não tem rabo por não ter medo?

18 Junho 2007

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Hilaria. Fantástico. Volta sempre.

( Merda. Esqueci-me outra vez da máquina fotográfica.)
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15 Junho 2007


CIII

Devolve-me todas as palavras. Não tas dei para que fizesses mau uso delas.


CIV

Mantém-te bem intencionado. É com boas intenções que muitos se tornam cabrões.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

14 Junho 2007

QUANDO POSSÍVEL E IMPOSSÍVEL SE CONFUNDEM

Katie Melua duets with Eva Cassidy

13 Junho 2007

A CASA DO HORROR (IV)

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O horror, quando nos confrontamos com ele, não se traduz obrigatóriamente em morte, sangue ou violência física. O horror não se relativiza dizendo ah, aconteceu no terceiro mundo, isso, lá, é normal, nem afimando o contrário ah, eles preocupam-se com um indivíduo, quando isso, aqui, acontece todos os dias. É considerando esse aspecto que se faz a seguinte precisão: O caso verídico que hoje se narra não ocorreu num país onde a justiça é tida como algo que não funciona, bem pelo contrário.
Um homem inocente foi esquecido numa prisão por uma juíza. Teria bastado uma assinatura sua para que a libertação do detido se consumasse. Passaram 437 dias até que o erro fosse finalmente reparado.
Todo o horror a que o homem foi sujeito, todas as angústias, todas as perguntas que se terá feito, todos os suores, todas as consequências, todo o desespero, a troco de um esquecimento. De uma assinatura.

12 Junho 2007

HILARIA KRAMER

.Hilaria Kramer
"Jazzin' Brasil e Superguru
na Villa Cicogna Mozzoni"
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Tem sido apanágio do Afinador de Sinos manter uma certa reserva verbal em relação aos acontecimentos de que dá notícia. Dito de outra forma: o Afinador procura não ser um clube de amigos, tu cá, tu lá, palmadinhas nas costas e miradinhas elogiosas em relação ao umbigo de cada um. Mas há semanas assim, em que os amigos resolvem aparecer de uma só vez, vindo mostrar-nos o seu trabalho. Depois do post anterior ( Paulo Neves ) eis a minha amiga Hilaria Kramer, com quem tive o prazer de colaborar em Zappatronix e Superguru, de regresso a Portugal para dois concertos com a BB-Band, em Almada ( Convento dos Capuchos, 15 de Junho ) e Lagoa ( Sítio das Fontes, 16 de Junho ). A Hilaria, digo eu que sou suspeito, é uma força da natureza e colaborou, entre muitos, com Steve Lacy e Chet Baker ( ver Bio ).

Paralelamente, e como resposta a este Bom Princípio, recebi do Luigi Abbondanza o seguinte comentário: perfetto. esact&qual quello ke intendevo. adesso devi finirlo cazzo!

A ideia da comissão de idoneidade existencial partiu do Luigi, que me sugeriu que escrevesse uma peça de teatro em torno deste tema, para a nossa Companhia de Teatro Cadeia Velha. O princípio já está, falta o resto. Ma ferma i cavalli, Luigi, que é uma expressão que, se existisse em italiano, quereria dizer, aguenta lá os cavalos, amico mio, começar e terminar não são exactamente a mesma coisa.

11 Junho 2007

Um escultor para esta semana

PAULO NEVES



Por absoluta de falta de tempo não fiz no último sábado o post que tinha planeado para a rubrica Um escultor para o fim de semana. Era a propósito de um convite que recebi do Paulo Neves para a inauguração da sua exposição actualmente a decorrer na Galeria Municipal de Matosinhos. Paulo Neves é um dos maiores e mais profícuos escultores portugueses, autor de uma obra pública e privada absolutamente notáveis, com grande representação internacional. Horários e calendário da exposição devem ser pedidos para a referida galeria. Eu, não me deslocando brevemente a Matosinhos (ou a Cucujães, onde trabalha), envio um abraço ao Paulo e desejo-lhe boa sorte. E que continue o seu caminho, naturalmente.

sons da fala

Ontem ( Domingo ) à noite, na Fortaleza de Sagres, Sons da Fala, um projecto que integra todos estes nomes
Sérgio Godinho (Portugal)
Vitorino (Portugal)
Janita Salomé (Portugal)
Tito Paris (Cabo Verde)
Nancy Vieira (Cabo Verde)
Filipe Mukenga (Angola)
Juca (São Tomé e Príncipe)
Guto Pires (Guiné Bissau
André Cabaço (Moçambique)
Madeira Júnior (Brasil)
Luanda Cozetti (Brasil)
não podia deixar de ser interessante e variado. Surpreendente a versão de Menina estás à janela, uma fusão de hip pop com música popular portuguesa. Luanda Cozetti esteve muito bem, pois claro. Festiva a versão de Venham mais cinco com todos os músicos e cantores em palco. Lamenta-se apenas que não tenha sido possível o encore que o público pedia, devido à realização de um espectáculo de fogo de artifício. Com um pouco de boa vontade por parte da organização, teria dado para tudo.

07 Junho 2007

Dois em um, uma contribuição de serviço público
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Entre os vários grupos de interesses que se reunem em torno da OTA contam-se otistas optimistas, hoteleiros e alguns otários, já que os últimos, é sabido, se têm disseminado por todos os sectores públicos e privados. Eu, que não pertenço a qualquer deles, acho que a discussão tem sido frutífera e tem contribuído para a familiarização do povo português com as línguas estrangeiras, ou não fosse um aeroporto, também, uma espécie de plataforma ( 'tá bem, 'tá bem, interface ) linguística. Depois de algum inglês técnico que aqui me dispenso de reproduzir, aprendemos o jamais ( pronunciar jámé e repetir em voz alta ) e, hoje, o peanuts.
Lamenta-se apenas que Mário Lino tenha perdido o ensejo de nos ensinar uma palavra nova, noutra língua, quando declarou não haver ninguém a sul do Tejo. As possibilidades eram muitas, mas bastaria um nadie, um niemand ou um nessuno, para obter um belo efeito e prestar um bom serviço público. Além disso, soa bem:
-Não há nessuno a sul do Tejo.
-Não há niemand a sul do Tejo.
-Não há nadie a sul do Tejo.
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Há oportunidades que, uma vez perdidas, não sabemos se se voltarão a repetir. É pena.

06 Junho 2007

A CASA DO HORROR (III)

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Nem todos os pormenores foram divulgados. Ignoro, por exemplo, como três homens cujas idades rondam os cinquenta anos se conheceram e juntaram para a concretização do plano. Sei, por outro lado, que um agente infiltrado impediu a consumação do horror. Os factos relevantes contam-se em poucas palavras:
Três homens planeiam raptar, num país vizinho, uma menina de cerca de nove anos. Atravessariam de novo a fronteira e passariam o fim-de-semana numa casa onde a torturariam e violariam. Usariam máscaras e filmariam as sevícias praticadas. O filme destinar-se-ia a circular no universo pedófilo e voyeur. Para terminar marcariam a menina com um ferro em forma de S e libertá-la-iam. Feito isto regressariam à sua vida de pacatos cidadãos. Um deles, casado e pai de filhos, agradeceu à polícia tê-lo preso antes que os acontecimentos tivessem lugar, confessou-se aliviado e declarou ter sido tomado por uma vontade que não conseguia controlar. A sua família, em cuja casa foi encontrado o ferro em forma de S, manifestou-se incrédula. Trata-se, segundo eles, de um homem adorável.

05 Junho 2007

CI

Haverá, talvez, mais marés do que marinheiros. Mas há mais marinheiros mortos do que marés vivas.


CII

Não tentes, na rua, dobrar uma esquina. Isso pode trazer muitos incómodos e destruição.


do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

04 Junho 2007

Os aforismos estão certos. Eu é que não os compreendo!
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Os meus filhos, após passagens meteóricas por outros desportos, fixaram-se momentânente (?) no hóquei em patins. Com isso, vi-me confrontado com um fenómeno que desconhecia em absoluto: o do desporto infantil e juvenil, organizado em torno de pequenos clubes locais e regionais com competições entre si, uma lufa-lufa de deslocações, apoios, ajudas e empenho por parte dos pais e dirigentes, horas passadas em pavilhões desportivos, dezenas de milhar de pessoas envolvidas em iniciativas deste cariz por todo o país, semana a semana.
Vem isto a propósito do despropósito. Quero dizer: já assisti algumas vezes a cenas de pais que, descontentes com decisões dos árbitros, por exemplo, em jogos onde as idades dos "atletas" rondam os oito, nove, dez anos, partem para o insulto e para o enxovalho sem estribeiras. Exemplos?
-Palhaço, ladrão!
-...
-És um palhaço, cabrão de merda, filho da puta...
O homem, pai de um pequeno jogador, continuou a beijocar o árbitro com afagos deste género. O outro, intitulado juiz, desvia os olhos do campo, vira-se para o público, encara o carinhoso pai e dispara com igual afecto:
-'Tou-te a marcar, quando isto acabar parto-te os cornos.
---
Outro exemplo, noutro jogo, noutra terra, noutro pavilhão, de um pai extremoso para o árbitro:
-Devias era levar com um patim que te abrisse a cabeça, ó seu caralho!
---
Desporto, sabem? Desporto infantil, para a educação, o crescimento e a cidadania. Mente sã em corpo são, como, de resto, toda a gente afirma. Deve haver alguma subtileza que me escapa.

01 Junho 2007

Entra-se no edifício que foi a sede do Banco Nacional Ultramarino (BNU)
em Lagos.

Percorre-se a sala do rés-do-chão onde estão expostas obras de outros artistas. Observam-se essas obras. Sobe-se ao primeiro piso. Desfruta-se. Feito isso, desce-se uma escadaria que conduz à cave do edifício.

Aí, depara-se com algumas grades metálicas e a porta blindada de um cofre-forte.
É o coração do banco, o sítio mais inacessível. Adivinha-se a presença de algo no seu interior.Entra-se.


Existem duas salas dentro da casa-forte. Uma contém a instalação Arquive-se de Jorge Rocha.
A outra contém os meus Sarcófagos Secretos de Leonardo da Vinci.
Gosto do sítio. Parece-me adequado para guardar sarcófagos que, ainda por cima, se chamam secretos.
Para ver na MALA .

30 Maio 2007

Blog com Tomates



O Afinador, tal como 78,6% da população portuguesa, recebeu esta simpática nomeação. Neste caso foi via Deixar Viver. Ora, não sendo costume desta oficina entrar em concursos durante as horas de expediente, decidiu abrir uma excepção e fazer uma interpretação literal das nomeações.
Blogues com tomates? Aqui vão...

O FOGÃO DO KUKA

ARDEU A PADARIA

COLHER DE PAU

AS RECEITAS DA LÍGIA

O AVENTAL DO GOURMET

Aproveito para enviar os meus parabéns a todos estes bloggers. Vivam os tomates, a salsa, os coentros, os rabanetes, o azeite virgem e a patanisca. Brindemos.

Serge Gainsbourg - "L Anamour" para duas amigas

Querem saber quem são as duas amigas? Leiam o post que se segue.

Serge Gainsbourg - "L Anamour" para duas amigas

Eu tinha que vos agradecer isto e isto. Acontece que o Afinador também desafina e, em vez de um agradecimento alegre e festivo, lembrou-se desta música. Porquê? Porque é poesia e sei que gostarão. O Sérgio Godinho, já agora, tem uma belíssima versão ao vivo de L'anamour no álbum Rivolitz. Infelizmente não a encontrei no You Tube.

29 Maio 2007

A CASA DO HORROR (II)

É, de novo, um caso verídico. Aconteceu numa pequena cidade de um grande país. A polícia organizou uma demonstração de como deve a população reagir em caso de sequestro dentro de um autocarro. Alguns polícias faziam de sequestradores, populares faziam de utentes, os restantes polícias faziam de si próprios. O exercício iniciou-se e uma metralhadora começou a disparar balas verdadeiras. Escrevo enquanto os factos estão ainda por apurar. Sabe-se que morreu um rapazinho de treze anos e que dez pessoas ficaram feridas. Irresponsávelmente alguém se esqueceu de trocar as munições mortíferas por munições apropriadas.
O horror, às vezes, é-nos servido pelos nossos putativos salvadores. Na realidade, tal como ficção.

28 Maio 2007

XCIX

Não bebas as palavras do texto. Prefere um copo de água.


C

Sem.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

25 Maio 2007


A segunda edição da Mala-Mostra de Artistas de Lagos inaugura amanhã, entre as 21h30 e as 24h00, e encerra a 21 de Julho.
Inclui trabalhos de 53 artistas visuais, alguns eventos musicais e estará patente no
Centro Cultural de Lagos, Museu Municipal e antigo edifício do BNU.
O convite é alargado a todos os interessados.

23 Maio 2007

LIBERDADE DE EXPRESSÃO (II)
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Após ter publicado o post que se pode ler imediatamente abaixo deste, li nos jornais que, em vez de uma anedota, terão sido proferidos insultos envolvendo, designadamente, a mãe do primeiro ministro. Supondo-se que a senhora, alegadamente, não governa, o Afinador não pode deixar de afirmar publicamente que não confunde o anedotário nacional com o insultuário nacional. Assim, o texto que se segue vale apenas para o primeiro caso.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
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O senhor primeiro ministro é muito bom primeiro ministro. O senhor primeiro ministro é imaculado. Este governo não comete erros, antes pelo contrário. O governo anterior, esse sim, errava todos os dias e o primeiro ministro anterior não era muito bom primeiro ministro. As anedotas sobre o senhor primeiro ministro são possíveis desde que não tenham piada. As piadas sobre o senhor primeiro ministro são possíveis desde que beneficiem a imagem do governo. O governo actual é nosso amigo.
Como aqui se vê, a liberdade de expressão existe, não temo ser suspenso por aquilo que acabei de escrever.
Já esse senhor ( é melhor não dizer quem ) que disse uma anedota sobre o outro senhor ( é mais seguro não escrever qual ) não respeitou o espírito que preside à liberdade de expressão. O respeitinho, alguém tinha que lho fazer notar, é muito bonito.

22 Maio 2007

Uma catadupa de Bons Princípios

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Eis que, de repente, começaram Bons Princípios a jorrar. Como diz a MRF , venham mais cinco. Trancrevo-vos o princípio de cada novo Bom Princípio. Depois podem lê-los na íntegra aqui.
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LII
A paisagem parecia ser imutável. As ondas iam e vinham da mesma maneira tranquila e quase silenciosa do passado. O sol era, quando entrava lentamente no mar, do mesmo laranja intenso e quase perfeito. O areal permanecia tão denso e suave como quando de mãos dadas caminhavam descalças a sorrir e a amar a vida. Parecia tudo igual. Tudo tão terno e eterno.
João Francisco
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LIII
Do que ele tinha medo era do poço das palavras dela. Não queria escutá-la por muito tempo por isso replicava e contrapunha, percebendo que precisava do confronto para não lhe dar espaço. Sabia que ganhava nos argumentos, treinados desde o berço ou desde a definição dos genes. Habituou-se, pois, a ficar à tona, mas temia-lhe a dimensão do olhar mesmo em silêncio.
*
LIV
Disse-lho depois do sexo. Disse-lhe enquanto o mirava no espelho grande quando se afastou até à porta do quarto, nua. Memorizou-lhe as costas curvadas em harmónio os pés enclavinhados no tapete a testa luzidia apoiada nos nós dos dedos, adivinhando-lhe os tremores e nada mais que isso.
*
LV
Há tanto tempo que vivia com o gato que deixara de lhe dar a importância da vida. Sabia que aquele aglomerado de massa e energia respirava, mas não se dava conta dos seus movimentos calculistas nem dos seus instintos felinos. Alimentava-o da mesma forma que todas as noites girava duas vezes a chave para trancar bem a porta de casa por dentro, ou que desligava e ligava a televisão.
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Obrigado a todos e venham mais cinco ( de uma assentada ou um a um)

19 Maio 2007




Um escultor para o fim de semana
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Jean Dubuffet
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Foi sobretudo como pintor que se afirmou este senhor, inventor do conceito Arte Bruta, mas são as suas esculturas que melhor permanecem. Morreu em 1982. Para quem se confronta com o seu trabalho monumental, é quase como se estivesse vivo.

17 Maio 2007

A CASA DO HORROR (I)

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Gosto de histórias, sempre gostei, tenho inventado algumas. Uma boa história tem, todos sabemos, um lado violento, angústia e sofrimento, confrontação com a morte, com o horror e com a infâmia.
A barbárie, a selvajaria e a estupefacção são ingredientes que um escritor, por exemplo, dificilmente descarta. Mas a ficção, no que toca à natureza humana, nunca se mediu com a realidade, nunca um romance foi mais violento do que a vida, nenhum horror ficcionado suplantou um horror já vivido.
A Casa do Horror relata casos acontecidos e relatados nos jornais. Nenhum nome, nenhum país, nenhuma raça serão mencionados. Nenhum julgamento, nenhuma condecendência. Como se fosse apenas uma tentativa impessoal de inventariar o imcompreensível.
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Um homem assalta uma bomba de gasolina. Não lhe oferecem resistência e o assalto é bem sucedido. O ladrão abandona o local, dá uns passos no exterior e volta atrás. Aproxima-se da empregada, uma mulher grávida, dá-lhe um tiro na barriga e sai de novo.

16 Maio 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (IVAMARLE)

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A Ivamarle foi a primeira pessoa a responder ao repto do Divas & Contrabaixos e do Afinador de Sinos e já publicou o seu Bom Princípio, para fecharmos com glória o nosso Livro.
Eis o texto que publicou no Vive e Deixa Viver:
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"De repente estacou, ao aperceber-se que caminhava como quem tem pressa. Que disparate, pressa de quê ou para quê? Nem os seus dias tinham pressa, passavam devagar e pausadamente; ele sempre achou que destoava do resto da multidão, precisamente pela calma dos seus passos.Pensava: “estes passos não são meus, não sei onde me levam, ou sequer se quero lá chegar...”, enquanto olhava um qualquer jardim, sentado na solidão das manhãs que o acordavam cedo.Tinha de sair logo mal acordava, daquelas quatro paredes que o atrofiavam e continuava a caminhar aqueles passos que não eram seus, a olhar aqueles rostos anónimos e a pensar nas vidas de cada um, como seriam? Seriam donos dos seus passos?No prédio já o apelidavam de fantasma, pois nunca ninguém o via, saía de madrugada e entrava depois das duas; interrogavam-se se sofreria de insónias. Mas não, a única coisa que o incomodava, eram mesmo aqueles passos que teimavam em ser dados e por vezes lhe mostravam coisas que não queria ver, ou sítios onde não queria ir."
...

Adore...Should we ?

Para ouvir alto e com a melhor qualidade de som possível.Mr. Prince Roger Nelson

15 Maio 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS

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A MRF meteu-se nos copos ( não, não é uma indiscrição, a Maria revela-o aos três mil quinhentos e trinta e sete leitores do Divas & Contrabaixos, não há razão para que os dois - incluindo eu - leitores do Afinador, não o saibam, :) ) e avançou com um convite. Vejam o Divas e aceitem o repto que vos é lançado. Eu, pelo meu lado, já tinha convidado a Ivamarle a apresentar o seu Bom Princípio no "Vive e deixa viver" e tinha-lhe pedido que desafiasse quatro bloggers da sua preferência para que fizessem o mesmo.
Ivamarle, põe a tua máquina a funcionar e publiquem os vossos Bons Princípios. Vive, deixa viver, mas chateia-os um bocadinho. O Livro dos Bons Princípios agradece.

14 Maio 2007

Contradição II
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Acabei de ouvir uma outra contradição, também curiosa, na Antena Um. Um tal Miguel Guedes jurou a pés juntos que a selecção portuguesa de futebol está, segundo ele, carente de portugalidade. Carente de portugalidade? A seleção de Portugal? As bandeiras, os cachecóis, as pinturas faciais, a turba, os jogadores?
Eu sei o que quer o homem dizer nas entrelinhas... Se fosse um francês a falar assim chamavam-lhe xenófobo. Um português a falar assim é o quê? Adepto?
Jornalismo de sargeta?
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A edição de hoje (em papel) do Diário de Notícias tem uma contradição curiosa. Vasco Pulido Valente, em entrevista, afirma a páginas tantas que em Portugal não existe jornalismo de sargeta e justifica-o a seu modo.
Por outro lado, Barra da Costa, com honras de capa, declara saber por "pessoa que sabe" que os pais da menina desaparecida no Algarve se dedicam à pratica do swing entre casais e que deviam ser investigados como tal dadas as características "patológicas" que tal facto acarreta. Provas? Julgamento? Dados concretos? Nada, apenas o suposto conhecimento de uma pessoa que sabe. Pode não ser jornalismo de sargeta. Mas anda perto.
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( Já a polícia deve, é claro, investigar todas as pistas possíveis, incluindo esta. Não pode é fazer alarde disso antes de poder provar a conexão entre uma coisa e outra )

12 Maio 2007

Um escultor para o fim de semana


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A pintura espanhola atingiu o seu apogeu no sec. XX com artistas tão importantes como Picasso, Gris, Miro, Dali, Tapies, etc. Na escultura foram também espanhois alguns nomes incontornáveis, de que Chilida, Oteiza e Juan Muñoz, são alguns exemplos.

Juan Muñoz, escultor desaparecido aos quarenta e oito anos, afirmou-se nos finais do século e teve uma carreira meteórica. Muñoz, numa época que priveligiava outro tipo de expressões, recuperou o corpo e a figura humanas como tema central do seu trabalho. O Jardim da Cordoaria, no Porto, possui uma das sua obras emblemáticas "treze a rir uns dos outros". É o nosso escultor para este fim de semana.

10 Maio 2007

XCVII

Adquire qualidades de camaleão. Aprende a recolher a língua.



XCVIII

Viaja no tempo. Compra um talhão no cemitério.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

08 Maio 2007



Já aqui falei sobre o excelente programa de António Barreto chamado Portugal, um retrato social. Hoje foi emitido o último retrato da série. Neste, Barreto faz uma síntese e tira as suas conclusões. Imperdível.

07 Maio 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS

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Quando, em Novembro de 2006, iniciámos O Livro dos Bons Princípios decidimos basear-nos no seguinte pressuposto:
"Imagine o leitor-autor que pretende escrever um livro e não sabe por onde, nem como, começar. O LIVROS DOS BONS PRINCÍPIOS proporciona-lhe uma vasta gama de princípios para conto, novela ou romance que o leitor-autor poderá seleccionar livremente. Depois terá apenas que escrever o resto, demorando o tempo que entender."
A partir deste enunciado começámos, a MRF, a Inominável e eu, a sugerir ao "leitor-autor" um Bom Princípio semanal em cada um dos nossos blogues. A dada altura perdemos o nome da Inominável e a regra passou a ser dois princípos por semana, no Afinador de Sinos e no Divas & Contrabaixos.
Passaram-se, entretanto, seis meses e cinquenta Bons Princípios e decidimos dar fim ao Livro, porque há sempre um dia em que até o Livro dos Bons Princípios inexoravelmente termina. Mas, para que o final não seja demasiado abrupto para nós, achámos por bem convidar dez blogguers que nos ofereçam os últimos textos e ajudem a encerrar com pompa e alguma circunstância.
Durante esta semana, aqui e no Divas & Contrabaixos, haverá novidades sobre esta iniciativa.
Alguém faz ideia de quem serão os convidados?

06 Maio 2007

dia da mãe

MÃES HÁ MUITAS...
*
*
... A NOSSA É QUE É
SÓ UMA

04 Maio 2007

Um escultor para o fim de semana

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CONSTANTIN BRANCUSI

a coluna infinita
Nascido em 1876, Constantin Brancusi veio a tornar-se um dos escultores mais importantes do sec. XX. Considerado um dos pais da abstracção e do minimalismo, a obra de Brancusi reflecte também o seu interesse pela arte primitiva.
Constantin Brancusi é um dos escultores que mais me influenciou, pelo menos num sentido:
com ele aprendi a cultivar a simplicidade de processos e a manter essa mesma simplicidade na própria obra. A palavra de ordem é keep it simple.

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03 Maio 2007

fotografia pinhole (II)

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a caixa fotográfica do Jorge Pereira
(que está de costas)
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e as dos meus filhos,
feitas por eles,
com um bocadinho de ajuda por parte dos "adultos"

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02 Maio 2007

Francisco Castelo






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Um amigo enviou-me uma fotografia minha que o Francisco colocou no seu site. Além dessa, encontrei os meus filhos fotografados por ele.
Francisco Castelo é uma espécie de "fotógrafo oficial" de Lagos e tem-se dedicado a registar aspectos marcantes da cidade. Um abraço para ele.
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Já agora, e a propósito de fotografia, o último domigo de Abril é, todos os anos,
o dia mundial de fotografia pinhole.
Sobre este tipo de fotografia o Google disponibiliza muita informação.

30 Abril 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (L)

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Olga sorri para mim na fotografia que está sobre a secretária, junto ao computador, pisca-me o olho na sala de estar, no velho aparador que foi da sua avó, volta a sorrir-me dentro de uma moldura que ela própria fez e colocou em cima da minha mesa de cabeceira, no nosso quarto.
Olhar para ela faz-me sofrer, mas algo em mim me obriga a fazê-lo constantemente, não sei se algum dia ganharei coragem para afastar estas fotografias da minha vista, se elas alguma vez deixarão de me doer.
Recordo cada momento dos últimos dias - estávamos tão contentes, a alegria dela contagiava-me. Olga encontrara finalmente um produtor para o seu primeiro filme, a primeira longa-metragem a sério. Empenhara-se tanto! Vinha de uma reunião com a equipa de produção, estacionara o carro em frente à nossa casa, do lado oposto da rua. Ao atravessá-la foi colhida por um carro vermelho que vinha a grande velocidade. Olga foi projectada pelo ar, eu estava em casa e ouvi um grito, senti o ruído surdo da colisão. Espreitei pela janela e vi o corpo imóvel de Olga junto ao passeio. Corri como um louco em direcção a ela. O condutor não parou. Olga, a minha adorada Olga, não se mexia. Percebi logo que estava morta.
Olga olha para mim e sorri-me sobre a secretária, junto ao computador. O seu sorriso mata-me por dentro e eu choro com pena de mim, dos nossos sonhos desfeitos, dos filhos que planeávamos e que nunca teremos. Depois olho eu para ela e prometo-lhe, pela milésima vez, que não arrumarei as fotografias, ainda que o seu sorriso continue a matar-me por dentro, enquanto não encontrar o condutor do carro vermelho.
...
continua a ser escrito aqui às segundas-feiras
pela mão de Maria do Rosário Fardilha

24 Abril 2007

Couple Coffee - Conversa de Botequim [ videoclip ]

Simplicidade, talento e bom-gosto. Até parece fácil...

XCV

A morte, quando não tem trabalho, inventa. Há mortos que morrem muitas vezes.


XCVI

Repara como a vida fervilha. É por isso que se evapora.
do Caderno de Pensamntos do Sr. Anacleto da Cruz

23 Abril 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XLVIII)

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Envelhece-se, com alguma sorte, envelhece-se. José Nascimento resignava-se com a gota, com o reumatismo, com a falta de ar, com a dor pemanente no peito.
A velhice terá certamente algumas vantagens, mas Nascimento não se conseguia lembrar de nenhuma. Habituara-se a lidar com as coisas, aprendera técnicas para compensar o inexorável esvair da virilidade, conseguia, por vezes, aplacar o medo e o terror nocturno, ignorava certos sinais com que o corpo o desafiava.
O pior de tudo era a má-disposição. Dava por si sempre mal-disposto, rezingava, resmungava por tudo por nada, tornara-se, lentamente, de forma quase imperceptível, o oposto do homem alegre que recordava ter sido.
Houvera um momento da sua vida que matara a alegria, ou esta fora-se consumindo até não restar traço nem centelha, até sobrar apenas amargura e cepticismo? Merda, repetia para si próprio, merda, merda, merda.
...
*
para ler no Dia Mundial do Livro
e para continuar amanhã no

20 Abril 2007

"Retratos de Animais"
de Svjetlan Junakovic
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Estão em marcha as inscrições
para a ilustrarte 2007
Bienal Internacional de Ilustracão para a Infância.
Todas as informações neste lugar.
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Um escultor para o fim de semana:


Antony Gormley Podem encontrar imagens aqui ,

visitar o site oficial,
ou visitar esta peça no Parque das Nações
em Lisboa

18 Abril 2007

O rato pariu uma montanha!
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Depois de assistir à conferência de imprensa promovida pela Universidade Independente cheguei a uma conclusão definitiva: demita-se o país!
Ou talvez não valha a pena, pois um país que tem instituições universitárias e professores do ensino superior deste calibre já se demitiu há muito de si próprio. Nesse caso, declare-se Reserva Integral do Planeta e interdite-se ao género humano.
Assim, sempre haveria alguma esperança...
XCIII

Se fores comido pelo tigre, passas a usar a sua pele.



XCIV

Imagina um animal que não exista. Foi o que o mundo fez contigo.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

17 Abril 2007

Portugal, um retrato social
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Acabei de ver o quarto excelente retrato de Portugal por António Barreto. Faltam três. E, porque retrata um país composto por muitos países, vou continuar a ver, às terças-feiras, na RTP1.
Quem não viu os anteriores pode encontrá-los aqui.
Armas de fogo
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Um estudante entra numa universidade, mata trinta e dois alunos e fere outros vinte e um. A grandeza dos números deixa-me perplexo e não sei o que pensar sobre isto, não consigo perceber as motivações, nem a persistência, nem o desprezo por tantas vidas tão jovens. Sei que não podemos encarar estas coisas com naturalidade, como se de um fait-divers se tratasse.
Em Portugal, segundo dados divulgados a semana passada, a violência com recurso a armas de fogo tem aumentado.
Eu proponho um raciocínio simples (que, obviamente, não explica tudo): Uma simples pistola, tratada com cuidado relativo, mantém-se funcional durante décadas. Todos os dias a indústria mundial de armamento produz milhares de "simples pistolas" que duram, cada uma delas, décadas. O arsenal planetário de "simples pistolas" e etc. não cessa de aumentar. A continuar assim chegará o dia em teremos mais cidadãos armados do que cidadãos, por exemplo, bem nutridos. Acho que não podemos encarar estas coisas com naturalidade.

16 Abril 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XLVI)

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Para o Luigi
- Nome?
- Z., Joseph.
- Idade?
- Quarenta e seis.
- Ora, cá está. O senhor não sabia que todos os cidadãos são obrigados a apresentar-se perante esta comissão no ano em que completam quarenta e cinco de idade?
- Escapou-se-me... desculpe.
- Desculpo? Escapou-se-lhe? O senhor pensa que pode ignorar os fundamentos da nossa organização social apenas com um pedido de desculpas?
- Quer dizer, eu não pensei que fosse assim tão grave...
- Não pensou que fosse grave... O senhor não se apresentou perante a Comissão de Verificação de Idoneidade Existencial e acha que não é grave? Esse facto, para começar, não abona em favor da sua Idoneidade Existencial. O senhor sabe o que a nossa sociedade faz aos relapsos, aos indigentes, aos improdutivos, aos objectores de consciência, aos independentes?
- Afasta-os.
-Exactamente, afasta-os. E o senhor, na verificação anterior, quando completou vinte e cinco anos, passou com alguma benevolência por parte desta Comissão. Apesar disso não parece ter-se esforçado o suficiente para permanecer entre os cidadãos reconhecidos como tal.
- Mas eu...
- Não me interrompa. Tenho aqui o seu processo, está aqui tudo, a sua vida, digamos, minuto a minuto. Aviso-o desde já que o senhor está a um passo muito pequeno de passar a dispensável. A forma como decorrer este exame pode, ainda que eu duvide, fazer com que prossiga entre nós.
Vamos lá a ver... para começar a sua conta bancária é demasiado baixa e você consome muito pouco. Pode explicar as razões?
...
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Imagine o leitor-autor que pretende escrever um livro e não sabe por onde, nem como, começar. O LIVROS DOS BONS PRINCÍPIOS proporciona-lhe uma vasta gama de princípios para conto, novela ou romance que o leitor-autor poderá seleccionar livremente. Depois terá apenas que escrever o resto demorando o tempo que entender.
*
continua amanhã no

13 Abril 2007

JP Simoes- Inquietação @ Fnac Chiado

JP SIMÕES
Terceiro retrato: Duo

JP Simoes- 1970 (retrato) @ Fnac Chiado

JP SIMÕES
Terceiro retrato: Duo

JP Simoes- Micamo @ Fnac Chiado

JP SIMÕES
Terceiro retrato: Duo

12 Abril 2007

Quinteto Tati-

JP SIMÕES
Segundo retrato: Quinteto Tati

BELLE CHASE HOTEL - FOSSANOVA

JP SIMÕES
Primeiro retrato: Belle Chase Hotel

BELLE CHASE HOTEL - SUNSET BOULEVARD

JP SIMÕES
Primeiro retrato: Belle Chase Hotel

11 Abril 2007

Desconhecia a existência de uma Bienal de Pintura de Pequeno Formato em Portugal. Mas existe e vai já na terceira edição. É organizada pela Câmara Municipal da Moita e pela Junta de Freguesia de Alhos Vedros.
Cada autor pode concorrer com dois trabalhos, que não podem ultrapassar os 33 cm x 24 cm, e o prazo de candidatura termina já no dia 16 deste mês.
Os interessados podem pedir informações para:
Prémio de Pintura de Pequeno Formato Joaquim Afonso Madeira
932214015
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XCI

Sê tão fiel como o fiel da balança. Oscila de um lado para o outro.



XCII

Não uses o pirilampo para iluminar o teu caminho. Compra uma lanterna.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

09 Abril 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPOS (XLV)

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Havia, nesse tempo, um rio que atravessava a planície onde os meus bisavós construíram a sua casa. O rio ainda lá estava quando o meu avô nasceu, e ele passou a sua infância mergulhando nas suas águas, preparando armadilhas para peixes, caranguejos e camarões, inventando barcos e batalhas, sonhando com a descida dessa estrada de água que, algures, num lugar longínquo e desconhecido, ia desembocar no mar.
Na aldeia contava-se a história de dois jovens amantes, haver-se-iam passado duzentos anos, segundo alguns, trezentos, segundo outros, que se teriam amarrado um ao outro por grossas correntes e atirado juntos às águas, unindo-se para sempre através da morte. A lenda passara de boca em boca, de geração em geração, e fora sofrendo pequenas distorsões ao longo dos anos, gerando versões distintas, apesar de todas coincidirem no essencial: dois amantes muito jovens, ela muito bela e rica, ele muito feio e pobre, um amor sofrido e tormentoso e uma noite, uma única noite em que a sua paixão se consumara até que, ao romper da madrugada, nada mais lhes restava senão o rio. Depois disso, dizia-se, ouvia-se um canto triste e langoroso emergir das águas em noites de lua nova e havia ainda, passado tanto tempo, quem jurasse escutá-los e distinguir claramente a voz de cada um deles.
O meu avô teria perto de vinte anos quando o leito do rio foi desviado alguns quilómetros por causa de uns projectos de engenharia. No leito antigo sobraram alguns poços com água, pequenos lagos, zonas pantanosas e mal-cheirosas onde proliferavam os mosquitos. Foi num desses pântanos que se encontraram dois esqueletos abraçados, unidos por grossas correntes muito enferrujadas. Bernardo Soares, meu avô, passou o resto da sua vida a estudar esses ossos, a desvendar a sua história, a procurar localizar descentes dos seus familiares próximos, a consultar velhos papeis em arcas e cofres igualmente velhos, e escreveu um livro em que narra as suas conclusões. Infelizmente morreu antes de o dactilografar e publicar. É precisamente esse livro que eu, palavra por palavra, passo a transcrever:
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está hoje neste quiosque
e às terças

07 Abril 2007

Kelvin Sholar Trio "The Firebird Suite"
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A organização anunciava "uma formação norte-americana que nos vem apresentar, em estreia mundial, o seu novo trabalho que acaba de ser gravado e que versa a sua intrepertação do Pássaro de Fogo de Stavinsky".
Kelvin Sholar confirmou-o e acrescentou que se tratava do seu arranjo jazz para a dita composição clássica. Muito bem acompanhado por John Arnold (bateria) e Jonathan Robinson (contrabaixo), Kelvin Sholar revelou-se um enormíssimo pianista. Com o público na mão o trio fez o que melhor sabe fazer: Jazz.
A máquina fotográfica ficou em casa mas os músicos pareceram não ter dado por isso.
O Lagos Jazz 2007 encerra hoje com o Lagos Jazz Summit, que reúne os sete professores dos workshops do festival, entre os quais os três acima mencionados.
Sinos afinados em Lagos.

05 Abril 2007


Salazar, coitado, ganha um programa de televisão,
Zeca Afonso atinge o top de vendas de discos.
Os nacionalistas, coitados, decidem investir num cartaz,
o Gato Fedorento contra-ataca.
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Ainda dizem que o campeonato português não é competitivo...

03 Abril 2007

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LXXXIX

Apanha bastante sol. Seca algum para, quando for necessário, o utilizares de conserva.



XC

A timidez é um problema relativo. Vai para a rua e grita bem alto que és tímido. Enquanto gritares, não és.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

02 Abril 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XLIII)

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- Feromonas - disse o sr. Macjeito.
- Perdão? - perguntou o outro, que era fininho, corcovado e tinha cara de peixe.
- Feromonas, atracção animal, rebarba, cio - o sr. Macjeito agarrou o braço direito com a mão esquerda e rematou - tesão.
- E acha que isso explica tudo?
"Há tantas espécies de peixe", pensou o sr. Macjeito, "carapau, sardinha, tamboril" e declarou em voz alta - Você não imagina o que as feromonas têm feito pela história da humanidade.
- Mas o gajo era um bronco! Ela, vá lá, pode até dizer-se que é uma senhora, parece inteligente, cheira-me a que seja culta.
- Uma coisa sabemos: a tipa tinha dinheiro, podia pagar.
- Está a dizer que, para eles, era tudo uma questão de truca-truca?
- Agradeço que não ponha palavras suas na minha boca. Mas acho que sim, para ela seria isso, truca-truca, vai e vem, o que queira. Para ele não sei, talvez fosse só por causa do pilim, o dito carcanhol.
-De modo que, diz você, ele andava atrás do guito?
- Uma nota de cem aqui, uma gravata de seda ali, o gajo era um cromo, investia na fachada, lustrava a frontaria.
- E ela?
- Ela gostava da loja, o marmanjo vendia artigo especializado.
- Ferormonas...
- Isso - o sr. Macjeito deixou passar a gaffe do outro - apostava na cambalhota, tinha um lado secreto.
- Vai daí, evaporaram-se os dois. E agora o marido paga-me para a encontrar.
- E você - "Cara de besugo, o outro tinha cara de besugo, avermelhada e tudo" - quer que eu o ajude a si...
- Que trace o perfil psicológico dos dois, que me ajude a analisar os dados e a compreender as suas motivações.
- Pois. Para já podemos excluir o amor desta história. Além disso, é um bitaite meu, pode bem ser que encontremos um cadáver no meio desta trapalhada. Ou até dois.
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28 Março 2007


LXXXVII

Anda de metro. De metro em metro percorrem-se quilómetros.



LXXXVIII

Se a minhoca se achar serpente, não a desiludas. Deixa que ela te crave os dentes e finge que morres.

do Caderno de pensamento do Sr. Anacleto da Cruz

27 Março 2007

ADELA CLARK LUIGI ABBONDANZA


actores da minha peça "O Filme"

e TEO BRUNA
no cartaz português de Superguru

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Hoje o dia é deles.

26 Março 2007

SALAZAR... (HUMOR SOBRE HUMOR)
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Daqui a uns anos, quando a pergunta sacramental fôr - Onde é que tu estavas na noite em que elegeram Salazar?, eu vou pôr um sorriso e responder - Na net, a combater.
-Ah, sim? E o que é que fizeste?
E eu, orgulhoso, vou poder dizer - Elegi o tipo do papel higiénico preto!
O pior é que, nestas coisas do humor, nunca nos levam a sério.

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XLI)

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Havia um paísinho tristonho e enfadonho onde os seus habitantes tinham o estranho costume de andar sempre em marcha-atrás. Com a passagem do tempo adquiriram uma estranha deformidade no pescoço que os impedia de olhar para a frente, a não ser por breves períodos.
Nas escolas, nas empresas, nas reuniões, nos cafés, à mesa, durante as refeições, etc., estavam sempre de costas uns para os outros. Esse facto, aliado às dores que sentiam nos braços por, para verem o que faziam, realizarem a maior parte das tarefas ao contrário, dava-lhes uma má-disposição permanente e grande descrença nas suas capacidades.
Como resultado de tudo isto tornou-se mais fácil destruir do que construir, isolar do que reunir, desconfiar do que apoiar. Recebiam bem e manifestavam certa simpatia pelos estrangeiros que, esforçando-se, aprendiam rapidamente a andar em marcha-atrás. Em contrapartida sentiam algum ultraje e desconforto perante aqueles que teimavam em preservar costumes como caminhar ou olhar em frente.
A população ria-se muito quando um deles dizia - Isto é um paísinho cinzentonho e medonho -, achava graça, batia palmas atrás das costas, havia logo quem acrescentasse - merdonho, amigo, paísinho merdonho - e ouviam-se mais palmas batidas atrás das costas. Mas se era um estrangeiro a dizer as mesmíssimas palavras, olhavam-no de frente e ensaiavam um remoque meio engasgado. Olhar alguém de frente enquanto se ensaia um remoque meio engasgado era, no paísinho, o maior sinal de desprezo que se podia dar a outro.
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hoje aqui, amanhã no

25 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos (Especial)

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Para os meus amigos São e Pedro


Antecipando-se a um programa de televisão que hoje elegerá um português - ver-se-á se dos grandes ou dos pequenos - o Afinador, numa clara jogada de antecipação, vai agora nomear o maior dos Grandes Portugueses Anónimos Vivos.

Sabendo-se que o anonimato é, hoje, uma das qualidades mais difíceis de alcançar, o Afinador de Sinos decidiu promover a Anónimo uma pessoa cujo nome se conhece, tal a importância e o modo como uma realização sua o destacou dos demais.

Poupem-se os encómios e evitem-se as loas, palavra alguma iluminará suficientemente a sageza, a visão e a subtileza deste Português.

O incontestado e nada polémico vencedor do prémio Grande Português Anónimo Vivo é, nem mais, nem menos, a pessoa que concebeu e lançou o mundialmente famoso - símbolo de bom gosto, elegância e distinção - papel higiénico preto.



23 Março 2007

Reordenar o mundo...
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A estupidez não tem limites e não pára de nos surpreender, especialmente quando pensamos que já perdemos toda a ingenuidade. Eu também lhes chamaria fascistóides. Mas desafio Francisco José Viegas a mostrar onde está a palavra ecologistas neste artigo.

Grandes Portugueses Anónimos (VII)




Poderia ter sido qualquer um e ter nascido em qualquer época. Sabe-se que as suas invenções resistiram ao sinal dos tempos, aos regimes, às tendências políticas e se tornaram uma espécie de tatuagem na alma portuguesa, seja isso o que for.

Surgem onde quer que exista meia dúzia de portugueses e medram fortemente em latitudes e condições bastante diversificadas, como se pode aquilatar facilmente em todos os países que praticam a lusofonia.

Abram alas à sua passagem e curvem-se respeitosamente os milhões que lhe são devedores. Aceita-se como legítimo o pensamento de que alguém sem méritos próprios, sem rasgos de espírito, sem independência, sem noção de cidadania, só pode tornar-se grande entre um povo muito pequeno. Mas reconhece-se que instituiu uma marca indelével e permanente que justifica a sua nomeação como Grande Português Anónimo.

Falamos do homem que inventou não uma, mas duas instituições das quais depende, desde há séculos, a estabilidade da nação: a cunha e o tacho.


22 Março 2007

LXXXV

Tem opiniões próprias. Mesmo que as vás buscar aos outros.



LXXXVI

Amarra o teu barco a um porto que ande à deriva. Assim podes viajar enquanto estás parado.

do Caderno de pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

21 Março 2007

Esta oliveira bimilenar é a mais velha da sua espécie em Portugal e,
provavelmente, a árvore portuguesa mais antiga.
Pode ser visitada em Pedras d'el Rei, Cabanas, concelho de Tavira.
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Já agora saiba-se que esta lista existe, que a retirei de um blog
chamado Dias com árvores, e que a dita lista deveria continuar a crescer.
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No Algarve, além da oliveira da foto, podem encontrar-se ainda estas

poesia - dia da

o meu colega fernando pessoa
cultivava a heteronimia.
compreendo-o. não é porém
o meu caso.
eu cultivo ser eu, nada mais,
nada menos. partir de mim e
regressar a mim, ou,
como tem acontecido, partir de mim
e não regressar a esse. deixar o mim
de ser o tal. passar o mim a ser
outro. de cada vez que fala o outro
dizer eu. às vezes dizer eu e não saber
qual o mim que fala. eu escolhi
o mais simples: ser,
apenas, quem for.
o meu colega fernando pessoa
escolheu a heteronimia.


será que o compreendo?


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20 Março 2007

O dia 20 de Março de 2003 foi um bom dia para os produtores de champanhe francês. Por cá também saltaram muitas rolhas, nomeadamente em São Bento. Mas Durão Barroso não foi o único a sustentar a invasão que o império de pés de barro dava antecipadamente por vitoriosa. Eu, a esta distância, ainda oiço as rolhas de Morais Sarmento, Vasco Rato, Luís Delgado, e tantos outros que, entretanto, optaram pelo low profile que hoje cultivam sobre o assunto.
Talvez valha a pena, porque eles têm nome, repetir aqui esta pergunta.

18 Março 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XL)

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Frei Bernardo Xavier tinha dificuldades em manter os votos de silêncio quando bebia um copinho a mais de vinho de missa. Essa era, de resto, a única mácula que os seus piedosos irmãos lhe apontavam nos raros momentos em que falavam, entre si, sobre si próprios. No mais era frugal e diligente, activo e sempre pronto a ajudar o próximo. Penitenciava-se cuidando como nenhum outro das rosas, camélias e vinhas do convento. Envergonhava-o moderadamente a sua simpatia pelo vinho, especialmente o fino e doce que usavam nas celebrações, e aplicava-se com esforçada devoção na poda das videiras, na selecção das castas, na escolha dos bagos, na maceração do mosto.
O viciozinho do vinho era o único traço que o ligava à sua existência anterior, à outra vida que tivera. Nunca, antes ou depois, fora do género contemplativo e meditabundo, os mistérios da criação e a redenção das almas ficavam ao cuidado dos seus colegas mais místicos e mais dados às questões espirituais. Retirara-se do mundo e enclausurara-se ali porque jamais fora capaz de esquecer o olhar desesperado daquela mulher a quem, não a podendo amar, amara doentiamente.
Não fora um amor vulgar, semelhante a tantos outros amores proibidos. Quando ela lhe lançou o olhar que para sempre o atormentaria, já os dois frascos de veneno para ratos estavam vazios, já os seus orgãos rebentavam por dentro, já o seu adeus entrava na eternidade. Estava-se no início da primavera de mil novecentos e sessenta e sete...
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compra-se aqui às segundas
e no
às terças
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16 Março 2007

Caruso - Gigi Finizio Lucio Dalla Gigi D'Alessio

Arrumar a oficina dá nisto! Uma colecção de sinos italianos já velhinos que o Afinador guardou há muito tempo, ma tanto, tanto tempo. Gli voglio bene, sai?

Gianna Nannini - I maschi

Roça muitas vezes o mau gosto, mas tem esta voz...

Paolo Conte - sotto le stelle del Jazz

O Afinador andava a arrumar a oficina e encontrou este velho sino perdido a um canto. Limpou-lhe o pó e pô-lo a uso. Não precisava de afinação.

14 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos (VI)

É o mais anónimo de todos os que aqui trazemos.

Ter-se-á destacado terçando armas junto do ainda imberbe Afonso Henriques. Ganhou, aos olhos do futuro rei, ascendente suficiente para um dia, provavelmente uma noite, lhe dizer:

- Deixa a tua mãe em paz, Afonso, não é bonito continuares a bater-lhe. Bater por bater, vamos passar a ferros aqueles morenos lá de baixo, divertimo-nos na mesma e ficas mais bem visto junto do resto da família.

Afonso tê-lo-á olhado em silêncio, sem responder.

- E, ainda por cima, aproveitas e fazes um reino, é bastante melhor do que um condado. Chamar-te-emos rei, faremos da tua mulher, quando a tiveres, nossa rainha, terás maior legitimidade para bater em quem te der na veneta, só o Papa e o Arcebispo de Braga te poderão repreender.

A frase de D. Afonso, que não sendo ainda monarca não dispunha de cronista privado, atravessou os tempos:

- Bora lá, bora já, tamos nessa.

A esse Grande Português Anónimo agradeceu encarecidamente D. Teresa pela valia dos seus conselhos junto do filho. Caso contrário o rapaz haver-se-ia precipitado sobre a Galiza, Astúrias, Leão...

A actual pressão populacional sobre o litoral faz com que todos nós lhe devamos um agradecimento especial e o resgatemos das malhas do olvido. Foi ele, afinal, que ofereceu a grande parte da população portuguesa o magnífico pôr-do-sol sobre o mar.
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foto gentilmente roubada a MRF

13 Março 2007


LXXXIII

Quem não arrisca risca ar.



LXXXIV

Há tanto tempo que matas o tempo e que o tempo não morre. Mas é só uma questão de tempo e um de vós…

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

12 Março 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XXXVIII)

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Caíra uma vaca na praia e os homens da aldeia discutiam entre si como haviam de a remover. O animal aproximara-se demasiadamente da falésia, o chão cedera sob o seu peso e viera cá parar abaixo.
Tratava-se de uma pequena aldeia junto à Enseada dos Milagres, na Ilha das Tempestas. Pelos vistos acontecera novo milagre, já que a vaca não sofrera um único arranhão depois de uma queda de quase vinte metros.
A aldeia não dispunha de uma grua capaz de a içar e devolver ao pasto, o bicho recusava-se a subir a escadaria tosca que as pessoas utilizavam. Alguém trouxera um bote baixo e largo que se revelara inútil, havia já quem achasse que só morta e retalhada em quartos se poderia recuperar a carne, todo o restante trabalho seria pura perda tempo.
Foi então que surgiu o estrangeiro. Era um homem alto, louro, falava uma língua eslava que ninguém compreendia e, em vez de palavrear, arregaçou as mangas, explicando-se por gestos. Seriam necessárias cordas, o homem fez o gesto de alguém enforcado, um tronco, o viajante desenhou uma árvore na areia e retirou-lhe os ramos, e uma roldana, "disse" ele rodando os indicadores, um sobre o outro. Não era momento para desconfianças e reservas, e a gente da aldeia foi-se unindo e seguindo as suas indicações. Quando a vaca regressou ao lugar que lhe pertencia e foi pacatamente juntar-se às outras, todos o olharam como se fosse um deles. Foi por essa razão que ele, pouco a pouco, ano após ano, se tornou um tempestino e deu origem a uma prole que se destacou no governo e nos negócios da ilha.
A filha mais velha...
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continua amanhã no Divas & Contrabaixos
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09 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos (V)

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O frade gordo e rechonchudo estava radiante.
- Uma iluminação divina, irmão, uma luz dos céus!
O outro, um homenzinho seco e escanzelado, de pele cinzenta e olheiras arroxeadas, olhou-o de lado, fazendo reluzir a sua enorme tonsura.
- Vai ao mestre pasteleiro, irmão, e pede-lhe meio quilo de massa folhada. - disse o gordo, saltitando.
- Foi mesmo Ele que te proporcionou a iluminação, ou só me queres dar trabalho?
- E de caminho traz-me oito gemas de ovo, meio quilo de açucar, limão, um copo de água grandinho, olha, traz dois, que um bebo eu, um litro de leite e duas colheres de sopa de farinha de maisena.
- Tens mesmo a certeza que foi Ele quem te iluminou? - perguntou o outro contrariado, enquanto se afastava ruminando uma novena.
O frade gordo foi esperando sentado até ter os produtos à sua frente.
- Ora bem, vamos lá a ver... Com a água e o açucar faz-se uma calda até atingir o ponto de espadana. Entretanto tu, irmão José, forras umas formazinhas pequenas com a massa folhada, com devoção e paciência que a inspiração é do alto. Agora mistura-se a farinha, o leite, as gemas e pranta-se a casca de limão nesta massa. Depois, com cuidado, verte-se para dentro da calda e vai-se mexendo sempre até engossar. Tu, irmão, enches as formas forradas de massa folhada com este creme e evita comê-lo, não cedas à gula. Eu, a seguir, ponho-os no forno bem forte, até estarem bonitos e tostadinhos.
- Só isso? Foi isso a tua inspiração divina?
- Shh, espera até provares e guarda segredo, a receita não se pode divulgar.
- E como lhes vamos chamar?
- Mas não levam nata...
- Shhhhhh, esse é o segredo, irmão. No futuro talvez lhe venham a pôr natas e sabe-se lá mais o quê. Ouve, irmão, servimos o alto mas somos portugueses cá de baixo. O segredo é que os pasteis de nata não levam nata, assim enganamos a concorrência e ganhamos uns cobres para o convento.
O magricelas levantou os olhos e agradeceu. Agora sim, estava finalmente convencido de que a iluminação viera com certificado de autoria.









Esta revista fez anos ontem. A discussão é antiga, uns de nós dizem que fez 28 anos, outros 29. A conclusão é que se envelhece depressa.

08 Março 2007

DIA INTERNACIONAL DA MULHER
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Homens e Mulheres que não sejam facilmente impressionáveis
vejam estas imagens
e seguintes
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LXXXI

Porfia. Se te vires por um fio, porfia.



LXXXII

Arma-te em parvo. Foi assim que começou a corrida ao armamento.


do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

06 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos (IV)

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É hoje pacífico que se tratava de uma mulher, apesar do aceso debate que existiu ao longo dos tempos entre antropólogos e historiadores.

Imaginamo-la com o bigode já um pouco grisalho e com a barba escondida pelo lenço que usava amarrado debaixo do queixo. Terá visto a luz coada pelos fumeiros de Montalegre, ou reflectida nas escarpas enegrecidas de Pitões das Júnias, ou afagando os granitos arredondados de Montemuro.

Foi a grande estilista da sua época. Sem ela Humphrey Bogart não teria sido Humphrey Bogart, os detectives não usariam gabardinas, os impermeáveis não existiriam, os gauleses desconheceriam o actual significado da palavra griffe, Fátima Lopes permaneceria ancorada no seu rochedo natal. Sem as suas bochechas coradas e sem o seu sorriso desdentado o conceito contemporâneo de bio-arte estaria por inventar, a indústria têxtil daria ainda os primeiros passos.

Paris e Milão aproveitaram o seu contributo para a História melhor do que Lisboa, incapaz de avaliar a real dimensão do seu génio, e permanecerá, cá como lá, anónima até ao findar dos tempos.

Ganhou, pelo seu inquestionável bom-gosto, pelo atrevimento das suas propostas e pela sua lendária noção de espectáculo, o direito de ombrear com os raros Grandes Portugueses Anónimos, a autora e criadora da capa de burel e da croça de juncos.

Grandes Portugueses Anónimos (III)

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Foi, projectando a sua sombra na planura alentejana quando ousava caminhar sob o sol, o pai da ecologia moderna. Homem de grande visão, prenunciou a política dos três erres e compreendeu os perigos da destruição da camada de ozono por libertação dos CFC. Trisavô dos frigoríficos contemporâneos, tetravô do micro-ondas, avô da garrafa termo dos nossos dias, retirou matéria-prima das árvores sem as abater. O design, como disciplina futura, não lhe era estranho.
A mulher de pêlo na venta que lhe deu os filhos preparava-lhe a açorda e ele comia-a ainda quente nos montes, remediava-lhe um gaspacho e ele papava-o fresquinho sob a copa do chaparro.
A justiça ecológica chegou tarde e só agora reconhecemos a pertinência de figurar entre os Grandes Portugueses Anónimos o visionário e primeiro utilizador do cucharro e do tarro.

05 Março 2007

Ela postou estas (O melhor concurso...) treze palavras - contando com o "o" e o "de".
Eu agradeço.

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPOS (XXXVI)

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Cheguei a casa e descobri que estava morto, substituído e em vias de ser esquecido.
Marta, a minha mulher, encontrara em Jim um novo marido e Júlia, minha dilecta filha, via nele um novo pai. Além disso havia Charlie, filho de Jim. Sentámo-nos à mesa ( a minha antiga mesa, na sala da minha antiga casa ) e conversámos. Chorámos todos, até Jim, que me pareceu ser um tipo às direitas. Marta e Júlia, passado o susto, ficaram contentes por me ver. Fui ultrapassado por Jim no coração de Marta e penso que terei que me habituar a isso, mas não quero que Júlia esqueça quem é o seu verdadeiro pai.
É principalmente por ela que me sento neste limbo onde me encontro, para escrever, ponto por ponto, todas as recordações dos quatro anos de amnésia por que passei.
...
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sai aqui às segundas
e no Divas & Contrabaixos às terças
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02 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos (II)

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É provável que fosse ribatejano e que o acometimento que o transformou num Grande Português se tenha passado em plena lezíria.
Ter-lhe-á acontecido um momento de distracção, ou de soberba, ou de fanfarronice. O certo é que lhe bastou uma fracção de segundo para decidir se morria perfurado e sem glória ou se ganharia a História, ainda que anonimamente.
O bicho investia desenfreado e não havia esconderijo que fosse viável. O homem olhou os cornos e, num relance, tirou-lhes as medidas. Entre o esquerdo e o direito havia espaço para um tipo que não se excedesse de cintura. No momento seguinte revolteava no ar, agarrado com unhas e dentes à cabeça do chifrudo. O animal sacudia-se, o indígena resistia, o bicho insistiu até estacar de cansaço e surpresa. O nosso homem olhou-o de frente e foi-se afastando às arrecuas. Quando a distância lhe pareceu suficiente fugiu a sete pés, com uma velocidade digna de um descendente de Viriato.
Dirigiu-se à primeira tasca e entrou nela, ufano e gabarolas, com o rei na barriga e restos de pelo de bovino nos beiços.
Prometeram-lhe um jarro de vinho e uma sandes de courato se repetisse a proeza. Aceitou, desde que os outros o seguissem para testemunhar o feito. Os tais, sem árvores por perto para se esconderem, puseram-se em fila, o de trás a tentar que o da frente o tapasse, cada um com mais medo do que o próximo. O da frente, saboreando já o courato e a pomada, encheu-se de ar e pôs-se a gritar olés, de mãos nos quadris, a provocar a besta.
O resto da história conhece-se e, em tempos politicamente menos correctos, o gesto do anónimo correu o mundo como cartaz de promoção do país.
O nosso Grande Português, num improviso genial e repentino, acabara de descobrir a Pega de Caras.

01 Março 2007

Grandes Portugueses Anónimos

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O Afinador de Sinos, nestes tempos em que se discutem portugueses de todos os tamanhos, vai recordar alguns grandes, anónimos, inventores, patuscos e descobridores de mundos que o mundo ignora.
A lista não segue qualquer critério, a não ser o velho critério português de não seguir critério algum.
- É um prato improvável para não lhe chamar inimaginável. A verdade, contudo, é que um português o imaginou. Lembrou-se o indígena de misturar favas, gordura e sangue de porco, uma pouca de açucar, coentros, hortelã,sal e rama de alho e acompanhar este conduto com peixe frito. Pode-se não acreditar mas estes ingredientes casam na perfeição e o tempo das favas frescas está a chegar. Homenageie-se, pois, o anónimo inventor das favas com peixe frito:
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1 Kg de favas descascadas
200g de toucinho
1 morcela média
2 colheres de sopa de azeite
2/3 folhas de hortelã
rama de alho
coentros
2/3 colheres de chá de açucar
sal grosso
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Cozem-se todos os verdes juntamente com o azeite e o sal. Devem cozer-se em pouca água, não os chegando a cobrir. Corta-se o toucinho aos bocados e frita-se na sua própria gordura. Junta-se-lhe, um pouco mais tarde, a morcela cortada às rodelas. Verte-se esta fritada e seu unto sobre as favas cozidas e mexe-se tudo até envolver, deixando apurar alguns minutos. Serve-se acompanhado de sardinha frita, ou peixe misto frito, e salada de alface.
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Só um Grande Português poderia ter inventado uma coisa destas. Não deslustraria se figurasse na capa de qualquer almanaque de História Universal. Imaginação e ousadia, a sério, é isto.

28 Fevereiro 2007

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LXXIX

A vida é um carrossel. Mas, enquanto estiveres nele, pagas o bilhete dos carrinhos de choque, da montanha russa, da casa do horror, do túnel do amor…



LXXX

Acredita. Acredita que podes duvidar.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

27 Fevereiro 2007



a confirmação (em três passos)

I

Primeiro veja-se a beleza destas imagens, para que se saiba do que falamos.


II

Agora compare-se esta fotografia (que tem apenas meia dúzia de anos)


com esta (mais recente mas já algo desactualizada)



III

Finalmente leia-se, com a devida vénia, este parágrafo do seu presidente no último Boletim da Câmara Municipal de Lagos:

"A par da Meia Praia outras áreas, como o Porto de Mós e a Ponta da Piedade, têm também sido alvo de propostas enriquecedoras e ambientalmente equilibradas, trazendo sérias e boas perspectivas de criação de emprego qualificado, o que contribuirá significativamente para a fixação de jovens e para o bem estar das famílias que irão bebeficiar desses novos postos de trabalho."

É a confirmação oficial, por detrás do embrulho das palavras. A Ponta da Piedade está condenada.

26 Fevereiro 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XXXIV)

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Matteo Cigogna, jovem escritor com uma novela e um romance publicados, o último dos quais com sucesso mediano, discutia entediadamente com o seu editor.
- Repito que é essa a frase que eu quero, assim mesmo, sem tirar nem pôr. Não vê que é esplêndida?
- Olhe-se bem para uma sardinha. Olhe-se bem para uma sardinha... - repetia o editor - Isto é lá frase para começar um romance! Já pensou nos leitores que uma frase destas afasta?
- É brilhante. Bri-lhan-te. É o melhor início de romance que se pode imaginar.
- E, depois, isto: Olhe-se e, por uma vez, veja-se a sardinha, demoradamente, atenciosamente, como nunca... Você acha que alguém quer ler isto?
- Isto, como diz, é precisamente o que eu quero escrever.
- Mas você quer contar a história da tal Sara, ou quer escrever um manual de pesca?
- Se ler com atenção verá que, adiante, é Sara que pensa que nunca alguém olhou verdadeiramente para si. É ela que faz a comparação, a imagem é dela: "uma espécie de sardinha".
- E que espécie de mulher se sente sardinha?, pergunto eu. - os olhos do editor trespassavam o corpo mole do escritor - Além do mais, depois de um início desses, ninguém chega a ler essa tal parte, desistem antes, não chegam a comprar o livro.
- Eu gosto da frase, acho que desperta a curiosidade, uma pess...
-Olhe-se bem para uma sardinha. Olhe-se bem para uma sardinha. Olhe-se bem... e esta coisa do atenciosamente, blá, blá, blá, e por aí fora. Ó homem, tenha paciência! Mude lá a porcaria do princípio, risque-o, faça o que quiser, mas arranje-me outro princípio, arranje, de preferência, um princípio que seja bom.
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sai hoje aqui
às terças no Divas & Contrabaixos
e não se sabe quando
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24 Fevereiro 2007

Zeca Afonso (II)

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Passados alguns anos (porque a morte dele demorou muitos anos a consumar-se e, de certo modo, a outro nível, ainda não aconteceu) ouvi na rádio a notícia do seu passamento. Não consigo lembrar-me do sítio ( cidade ) onde estava. Recordo que me ocorreram estas palavras da Balada do Outono:
Águas
Das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu nao volto
A cantar
e que foi então que eu comecei chorar.

23 Fevereiro 2007

Zeca Afonso





Vi-o sobre o palco algumas vezes e falei com ele duas ou três. Na última já o Zeca estava doente e estava sentado num banquinho na Av. D. Carlos I, entre a Era Nova e a Culturona ( algum destes nomes vos é familiar? ). Estávamos uns quantos "putos" à conversa com o Zeca, ele contente por estar connosco. Lembro-me nítidamente da forma quase reverencial como falávamos com ele. Todos sabíamos que Zeca já ia a bordo do combóio descendente.

22 Fevereiro 2007

E eu até ando a deixar de fumar...
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Li que a Alemanha se prepara para proibir que se fume no interior dos automóveis, alegadamente porque fumar distrai os condutores e porque se trata de um lugar fechado com elevada concentração tóxica.
Será verdade. Mas imagine-se, por exemplo, um fumador solitário que seja o único passageiro do seu automóvel. Pois estará proibido de acender o cigarro já que alguém, num ministério, se preocupa com a sua saúde.
Não basta perguntar quem nos salva desta gente que nos quer salvar de nós mesmos. Eu, entre outras questões, pergunto quanto tempo falta até que venham dizer que o fazem em nome da nossa liberdade e para a proteger do mau uso que fazemos de um bem cujo valor eles sabem avaliar, em nosso nome, melhor que nós.
E, quando protestarmos, ainda vão acabar por nos chamar ingratos. .

20 Fevereiro 2007

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LXXVII

Sobe até ao infinito. Excepto se o caminho para o infinito não for para cima.


LXXVIII

Se desejas uma mala de pele de crocodilo, não mates o dito. Com ele vivo nenhum ladrão ta roubará.


do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

19 Fevereiro 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XXXIII)

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Na origem de tudo esteve um olhar cruzado, e foi o pior que podia ter-me acontecido.
Na cidade onde moro, na província, não se faz festejo, manifestação ou procissão que dispense atafulhar a minha rua com a sua presença. Eu regressava a casa a meio da tarde e lutava duramente para atravessar a turba infrene, escorregava entre corpos suados e ruidosos, esquivava-me em direcção contrária à alegria postiça daquela massa amarfanhada de corpos bamboleando-se. Devo dizer que sou algo avesso a multidões com elevado grau de excitação e procurava despachar-me.
Tentei furar por um Osama Bin Laden que, saltitando frenético e agressivo, me impedia a passagem pondo-se no meu caminho. A cara dele fitava-me sem mudar de expressão, com um ar de gozo insistente e parvo. Atrás do idiota vinha um palhaço trazendo o Papa e George Bush pela mão. Bush apresentava-se de fraldas, do pescoço pendia uma chupeta enorme que lhe caía sobre o umbigo, e o Papa, com a mão livre, abençoava os mirones curvando-se ligeiramente a cada abençoadela. Uma odalisca hirsuta e musculosa aproximou-se do palhaço e eu vi-o dobrar-se repentinamente sobre si próprio, agarrando o ventre com ambas as mãos. Bush e o Papa, sentindo-se libertos das mãos do palhaço, prosseguiram dançando alegremente, cada um para seu lado. A odalisca voltou-se na minha direcção e os nossos olhares cruzaram-se no meio do carnaval. Foi então que ele viu que eu tinha visto, e que eu vi que ele viu que eu vira. Eu, contudo, estava ainda muito longe de imaginar os problemas que vinham de começar.
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às segundas aqui,
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16 Fevereiro 2007

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O Afinador tem andado um pouco ausente da blogosfera. Significa que a vida real se tem sobreposto à virtual. É bom sinal.
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Os lisboetas são uns belos idiotas! Não é que bastava alguém ter-lhe perguntado: -Podemos confiar em si? O homem tinha respondido que não e estava o assunto arrumado.
Mas como ninguém perguntou...
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14 Fevereiro 2007

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Se a falta de vergonha valesse pontos Fátima Felgueiras ganharia destacada os Grandes Portugueses. A "senhora" fez tantas que se acredita que tenha um dedo nisto, ainda que o seu advogado o venha negar. Substitua-se a palavra Felgueiras por Fátima. A falta de vergonha mantinha-se, mas a hipocrisia diminuía.
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13 Fevereiro 2007

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LXXV

Presta atenção ao murmúrio das águas. Se não perceberes, pede-lhes que falem mais alto.



LXXVI

Vive no limiar. Ainda que não saibas de quê, vive sempre no limiar.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

12 Fevereiro 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS (XXXI)

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Nota do autor: o livro que se segue é uma obra de ficção.
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.
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I
-Eu podia dizer que sou licenciado sem ser, porra, mas até é verdade que sou. Elas também, mas tu vês pelos interesses, pelos erros ortográficos, pela forma como as gajas se exprimem. Inscrevo-me como licenciado, portanto, e isso permite logo uma certa selecção. Depois escolhe-se a idade: para mim entre os vinte e cinco e os cinquenta anos. Prefiro as de trinta e tal, mas já me apareceu uma cinquentona com um corpo de vinte. A cara não era lá grande coisa mas a tipa era porreira e, no fundo, é tudo uma questão de iluminação. E tinha cá uma experiência... Aquela coisa do vinho do Porto é mesmo assim...Depois os interesses: literatura, cinema, natureza, estás a ver?
Quando se acha que vale a pena vai-se à gaveta e manda-se um poema, por acaso até tenho uma meia-dúzia bem esgalhada, e, pronto, é vê-las cair. Quando eu era puto não era bem assim. Já fodi mais gajas com a internet do que em toda a minha vida anterior.
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sai no Afinador de Sinos às segundas
no Divas & Contrabaixos às terças
no Ponto.de.Saturação às quartas

09 Fevereiro 2007


da série " Sarcófagos Secretos de Leonardo da Vinci "
Escultura encerrada em sarcófago de gesso
e revelada através de raio-x
a. pedro correia
2006

Posted by Picasa

08 Fevereiro 2007

A posição de cada um relativamente ao referendo sobre o aborto pertence ao próprio e a quem este decidir consultar sobre o assunto. É, portanto, uma questão de consciência individual.
Penso, no entanto, que a consciência não é uma entidade etérea e abstracta, mas sim o resultado de posições filosóficas, éticas, sentimentais e de posições mais prosaicas como desejar ou não um filho, sentir-se ou não à altura de o educar dignamente, penalizar ou não quem tenha práticas e posições divergentes.
Aceitar a voz da consciência individual significa rejeitar grande parte da argumentação que, por estes dias, atulha a comunicação. A questão não é sobre quando começa a vida, nem sobre o aumento ou diminuição da população, nem sobre "pedir desculpa à sociedade" em vez de outro tipo de penalização.
O problema é saber se uma pessoa pode ser obrigada a gerar outra pessoa se achar que não o deseja, que não o sabe fazer responsavelmente, que, por variadíssimas razões, não o pode fazer, e se a sociedade pode, finalmente, decidir por ela impondo-lhe a maternidade.
Eis porque, pesadas as razões e atendidos os meus valores de índole ética e espiritual, em consciência, estou do lado do sim.

07 Fevereiro 2007

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- O problema das coisas imprevisíveis - diria o sr. Anacleto da Cruz - é não se poderem prever com antecedência.
Foi o que aconteceu com esta longa ausência do Afinador.

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LXXIII

Nenhuma esfera era redonda antes de o ser.



LXXIV

Vai, deixa-te ir nas asas do sonho. Mas transporta contigo um pára-quedas que seja real.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

30 Janeiro 2007

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LXXI

Interessa-te por tubarões. É melhor, acredita, do que interessarem-se os tubarões por ti.



LXXII

Tudo, em mim, aconteceu demasiadamente tarde. Menos a morte.

do Caderno de Pensamentos do Sr. Anacleto da Cruz

29 Janeiro 2007

O LIVRO DOS BONS PRINCÍPIOS ( XXVIII )

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"- Tinhas a ideia de que os teus amigos se moveriam por ti quando chegasse a altura? Tinhas essa ideia, meu idiota? Pois fica sabendo que os teus amigos movem-se apenas por si próprios, percebes?, movem-se por si até que tu tenhas algo para lhes oferecer, só então mexerão o cu por ti, se isso não os desinstalar demasiadamente, meu pedaço de asno. Queres alguém que acredite em ti, alguém que possa, por um momento, respeitar-te, alguém que, num relance, vejas a teu lado? Procura entre quem não te conheça, sonso, entre quem não adivinhe o teu sorriso desengonçado, não tope o teu humor à distância, não tenha convivido ainda com o teu mau hálito. Procura junto de quem não te materialize, junto de quem não esteja presente quando te peidas, quando tiras macacos do nariz e os colas debaixo da cadeira. Busca na net, por exemplo, talvez haja quem te siga, quem se esforce, quem te idealize, quem goste, até descobrir que não, um bocadinho da besta que és..."
Foi com estes pensamentos que Licínio acordou na manhã do dia vinte e seis de Novembro. É certo que o tempo, lá fora, estava bastante merdoso, uma nevrinha capaz de ensombrar o amor próprio de qualquer um.
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Imagine o leitor-autor que pretende escrever um livro e não sabe por onde, nem como, começar. O LIVROS DOS BONS PRINCÍPIOS proporciona-lhe uma vasta gama de princípios para conto, novela ou romance que o leitor-autor poderá seleccionar livremente. Depois terá apenas que escrever o resto demorando o tempo que entender.

28 Janeiro 2007

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Os tecnocratas ( caso Esmeralda, posição - voto não porque a lei que temos já prevê tudo isso, mas sou contra a criminalização das mulheres, etc. ) começam a ouvir falar de inteligência emocional.
Acredita-se que andem confusos.

26 Janeiro 2007


da série " Sarcófagos Secretos de Leonardo da Vinci "
Escultura encerrada em sarcófago de gesso
e revelada através de raio-x
a. pedro correia
2006

 Posted by Picasa

25 Janeiro 2007

RODRIGO



PARABÉNS